SABER ACOLHER E SABER PARAR. XVI Domingo comum.
Data: 20/07/2019

SABER ACOLHER E SABER PARAR.
XVI Domingo comum.


A águia é das aves com maior longevidade da es¬pécie. Chega a viver 70 anos. Para isso, porém, aos 40 anos tem de tomar uma decisão difícil, pois, nessa altura, as unhas, compridas e flexíveis, já não conseguem agarrar as presas de que se alimenta; o alongado bico curva-se demasiado, apontando para o peito, e as asas, envelhecidas e pesadas, dada a grossura das penas, tornam o voo muito difícil.
Diante desta situação, só existem duas alternativas: passar por um doloroso processo de renovação ou morrer. Como o instinto pela vida é muito forte, a águia decide enfrentar esse período que dura 150 dias. Procura um nicho abrigado no cimo de uma escarpa, onde não necessite de voar. Em seguida, começa a ba¬ter com o bico nas pedras até o arrancar. Depois espera que nasça um novo bico e, com ele, arranca as unhas.
Após crescerem, utiliza-as para arrancar as penas anti¬gas. Cinco meses mais tarde, sai para o famoso voo da renovação, para viver, então, mais 30 anos.
As leituras deste domingo conjugam duas atitudes importantes: a hospitalidade e a necessidade de repouso e de escuta. O texto apresenta-nos Abraão descansar “sentado à entrada da sua tenda, na hora de maior calor do dia”. De repente, aparecem três homens diante de Abraão . Abraão convida-os a entrar; traz-lhes água para lavar os pés e improvisa um banquete com pão e um vitelo “tenro e bom” do rebanho, com manteiga e leite. Os caminhantes param, são acolhidos, retemperam as suas forças e depois continuam a sua caminhada. No Evangelho de hoje, apresentam-se duas irmãs que recebem Jesus em sua casa. Duas personalidades diferentes. Marta, agitada, inquieta, faz tudo para fazer bem feito, perfeito. Atingida pelo stress, faz tudo para encher de coisas o hóspede: Jesus. Não O escuta. Maria, ao invés, coloca-se numa atitude de escuta, de tranquilidade, de contemplação das palavras do Mestre. Sem pressa tenta acolher Jesus na casa do seu ser e do seu coração. Pára para escutar o Mestre.
O mundo de hoje flui rapidamente. A rapidez e a agitação conduz ao cansaço ao esgotamento. Preci¬samos de parar! Necessitamos de parar para ganhar novo fôlego. Reinventar as forças. É necessário renovar continuamente os nossos conheci¬mentos. Isso vale para a área pessoal, profissional e familiar. Contemplar, brincar, cursos, retiros e encontros ajudam a quebrar resistências e a entender melhor o tempo. O que não se refresca no tempo não tem futuro. Tudo o que não se renova acaba! Na nossa vida, algumas vezes, é fundamental recolhermo-nos por algum tempo e iniciar um pro¬cesso de renovação, sem o qual estaremos condena¬dos a uma vida sem sentido. Com a renovação ganhamos novo alento e pode¬mos alcançar novos objectivos. A bíblia fala do jubileu, do ano santo; ficamos com a prática do ano sabático - ano de paragem e de estudo, de stop e de retiro.
Tal como a águia, tal como os terrenos que necessitam de pousio (até as máquinas!) necessitamos de revitalizar-nos, refontalizar-nos e de retemperar forças. Tal como Abrão, na primeira leitura e Maria, no Evangelho, precisamos de saber parar, para saber acolher. Parar para escutar, ver, perscrutar os sinais da vida ! Parar para avançar melhor!


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