O bom samaritano dos nossos dias! XIV Domingo Comum.
Data: 13/07/2019

O bom samaritano dos nossos dias!
XIV Domingo Comum.


Há uma história interessante que sempre me faz pensar seriamente, não permitindo que me tome o comodismo ou o rigorismo que me fizesse travar a compaixão. Conta assim:
Todos sentimos algumas vezes na vida a sensação de solidão: uma solidão de abandono ou de esquecimento, uma sensação de isolamento. Mas há sempre uma luz a iluminar essas horas: um familiar, um amigo ou até alguém desconhecido. Há sempre um anjo de bondade, velho ou novo, que vem trazer um pouco de lenitivo ou de azeite à candeia da esperança. Li há tempos o relato de um acidente de automóvel. Noite escura. Um casal viajava na auto-estrada serenamente foi abalroado por um potente automóvel, que os atirou para a lama da margem, ficando os dois carros desfeitos. O condutor do carro abalroado conseguiu desprender-se e vir para a estrada pedir ajuda com uma lanterna. Os carros passavam velozmente. Outros afrouxavam, mas não paravam, não ofereciam um gesto de solidariedade. O homem já sentia revolta pela indiferença egoísta dos que passavam. Mas corrigiu a sua ideia quando viu aproximar-se um homem com uma lanterna, a verificar se havia feridos e se teria de ir buscar socorro. Aquela lanterna, naquela hora dramática de confusão, de incerteza e perigo iluminou a alma daquelas três pessoas sinistradas. Na vida, acontece muitas vezes isto. Quantas vezes alguém é abalroado imprevistamente por uma doença, por um desgosto, por um acidente, que deixam a alma em trevas de angústia. Mas uma simples lanterna – um amigo, um familiar, alguém – são como a luz do extremo do túnel escuro. Por essa luz renasce tantas vezes a esperança, a coragem para continuar a lutar. E essa lanterna é a nossa mão estendida levando ajuda, apoio, serenidade, salvação a qualquer coração angustiado.
No Evangelho, um mestre da Lei pergunta ao Mestre da Vida, Jesus: que devo fazer para chagar à vida eterna? É uma pergunta que os homens do nosso tempo fazem todos os dias: “o que fazer para chegar à vida plena, à felicidade? A resposta é: “faz de Deus o centro da tua vida, ama-O nos irmãos”. É por aqui que passa a nossa realização plena. Segundo a definição clássica, amar é ajudar quem precisa e querer o bem do outro. A Segunda pergunta: o que é isso do amor ao próximo? Até onde se deve ir? Trata-se de ver em cada pessoa – sem excepção – um irmão e de lhe dar a mão sempre que ele necessitar. Qualquer pessoa ferida com quem nos cruzamos nos caminhos da vida tem direito à nossa atenção, ao nosso amor, à nossa misericórdia, ao nosso cuidado, á nossa generosidade – seja ela branca ou negra, portuguesa ou ucraniana, cristã ou muçulmana, fascista ou comunista, pobre ou rica. A indiferença aos outros nãos nos torna feliz! A indiferença é um cancro! A parábola do Bom Samaritano é uma história contra a indiferença. Que a luz da fé, nos faça olhar para o irmão, com os olhos de Jesus.
"Em cada homem e em cada mulher, há uma bênção para mim; estende sempre a mão; Deus me ilumina através do rosto do irmão”Elie Wiesel (pensador e prisioneiro judeu na segunda guerra mundial)


fechar