A ALEGRIA DE UM" CORAÇÃO CHEIO" XIV DOMINGO COMUM Há música brasileira com um refrão curioso, que diz assim: “De copo sempre cheio e coração vazio, ‘tô’ me tornando um cara solitário, distante e frio”. Analisando com um pouco mais de profundidade, nã
Data: 06/07/2019

A ALEGRIA DE UM" CORAÇÃO CHEIO"
XIV DOMINGO COMUM

Há música brasileira com um refrão curioso, que diz assim: “De copo sempre cheio e coração vazio, ‘tô’ me tornando um cara solitário, distante e frio”. Analisando com um pouco mais de profundidade, não é difícil concluir que, em alguns aspectos, este refrão reflecte a realidade de muitas pessoas que, de facto, se encontram com um coração despedaçado e sem nada. E podemos acrescentar: de acções vazias, indiferentes, sem querer participar e colaborar seja em que for. Só querem como diz o papa, "ver a procissão passar, dependurados no alpendre da sua indiferença"!
O Verão aí está! Tempo de férias! Tempo de encher o copo e também esvaziá-lo. Tempo de repouso e de descanso! Muitas vezes, tempo para afogar o tempo ! E afogamo-lo, ficando vazios por dentro! Esta metáfora do “copo cheio” é uma alusão a tudo o que toma o nosso tempo, a nossa energia, a nossa emoção e atenção, as nossa horas, “esvaziando o nosso coração”. Muitos problemas, compromissos, projectos, promessas, desilusões e expectativas acabam por nos tomar as horas e os dias. Muitas ocupações supérfluas e medíocres absorvem-nos tantas horas! Como ocupamos o nosso tempo? As nossas férias? Temos disponibilidade interior, reservando algum tempo para o essencial? Tempo para a cultura, para a família, para o encontro com os outros, para a oração? Temos disponibilidade para colaborar e participar? Vejamos esta história.
Uma vez, deflagrou um incêndio numa floresta onde vivia o Beija-flor. Todos os animais fugiam apavorados menos ele, o Beija-flor. O passarito, andava todo atarefado, num vaivém permanente para o lago mais próximo, donde tirava gotinhas de água que lançava no incêndio.
Repetia esse comportamento sem cessar, até que, uma coruja intrigada lhe perguntou:
- Beija-flor, tu enlouqueceste? Pensas que vais apagar esse incêndio sozinho com essas gotinhas de água? - Eu sei que não vou apagar o incêndio - respondeu o Beija-flor com a maior calma do mundo - mas eu faço a minha parte.
Jesus , neste Domingo, pede a mim e a ti: os teus pés para ires…, as tuas mãos para abençoares e acariciares, a tua língua para anunciar, o teu rosto para sorrires, o teu coração para amar, o teu tempo para colocares à disposição. A Seara é grande: há crianças, jovens, famílias, idosos na solidão, doentes desesperados que necessitam da nossa atenção, do nosso sujar as mãos…Há uma multidão enorme que não sabe e não conhece a novidade de Cristo. Como seríamos criaturas novas se acolhêssemos verdadeiramente a Jesus? A seara é a nossa terra, são os nossos sítios e bairros, a nossa paróquia, a nossa igreja, a nossa praia e a nossa serra.... a nossa humanidade; numa palavra: as pessoas. E também eu... Que grande é a seara! Estou disposto e disponível para ir?
Enchamos os copos, mas também preenchamos os nossos corações , os nossos dias e horas com a beleza de Deus, com a alegria de ser cristão , com o encontro dos irmãos, com a doação, a entrega e o sentido da participação. Neste Verão é bom tomar um copo, mas não deixar o coração vazio! Encha o copo (beba com muita moderação) e o coração!


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