ASCENSÃO DE JESUS; AS CHAVES DO CÉU
Data: 01/06/2019

ASCENSÃO DE JESUS
AS CHAVES DO CÉU

HISTÓRIA
Era uma vez uma Religiosa que, em seu leito de morte, pediu à Comunidade que alguém lhe trouxesse a “chave do céu”. Sem perceberem o sentido imediato daquela última vontade, todas as Irmãs se desdobraram em propostas: desde o seu objecto de mais visível devoção, até ao livro recomendado no último retiro. Nada, porém, parecia corresponder ao desejo, que se reafirmava, cada vez mais débil: “tragam-me a chave do céu”. Foi uma noviça quem, num golpe inspirado, se lembrou que aquela religiosa toda a vida tinha exercido a discreta tarefa de costureira. Correu, então, à antiga sala do seu labor e de lá trouxe um carrinho de linhas e uma agulha. Perante o olhar de espanto das suas Irmãs, a agonizante ofereceu-lhe o mais sereno dos olhares. Sim, ali estava a sua chave do céu – porque, afinal, o trabalho (qualquer trabalho) feito com amor dignifica, enobrece, eleva e nos faz ascender! E penetrar no céu... O compromisso efectivo com a realidade, a o amor com que realizamos os nossos compromissos é que nos faz penetrar na felicidade plena... é a nossa ascensão, a nossa ascese.
A Ascensão de Jesus ao Céu é o remate da obra de Cristo na Terra. É a sua entrada na glória do Pai. Depois da sua vida pública, após a sua Ressurreição e aparição aos apóstolos, a frágil humanidade de Jesus, que também é a nossa, entra na esfera do divino, do céu, do infinito. Para nós cristãos, este mistério da nossa fé é uma oportunidade para meditarmos sobre a nossa condição humana e cristã:
• Não somos maquinas de morrer, nem somos feitos para o triste desfecho do nada, para a derrota final. Embora sabendo que o tempo é limitado, sabemos que vivemos neste mundo como peregrinos que anseiam um novo céu e uma nova terra. Não se caminha para o nada e para a derrota, mas para o céu, para a glória da vida!
• Se somos peregrinos e não temos neste mundo morada permanente, somos chamados “a pegar o mundo nas mãos” e sermos responsáveis pela construção de um mundo mais humano, mais justo e solidário. O Céu existirá quando houver paz, justiça e solidariedade, quando a humanidade tiver iguais oportunidades de vida, toda a gente cresce, ascende. Há desenvolvimento, progresso, crescimento.
• Colocamos a nossa segurança e a nossa esperança no ser, na realização da pessoa unida a Deus e aos irmãos. Não colocamos a nossa esperança, a nossa segurança e nossa realização pessoal unicamente no ter, no consumo, no poder, na imagem, no curtir o momento. O Céu existe quando se vive na comunhão, na alegria, numa boa relação com os outros, na preocupação para que o outro seja feliz.
• A nossa vida pessoal deverá ser vista como uma subida, uma escada que sobe permanentemente. Não como uma subida e depois um descida, uma subida até ao monte e depois uma derrocada até ao nada, ascensão e queda. Não, a vida é uma caminhada em ascensão, com avanços e recuos, para glória!


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