NUNCA CONDENAR! LIBERTAR SEMPRE! V Domingo da Quaresma
Data: 06/04/2019

NUNCA CONDENAR!
LIBERTAR SEMPRE!
V Domingo da Quaresma

HISTÓRIA. Enquanto aguardava pelo seu voo, na sala de espera de um aeroporto, uma senhora, para preencher o tempo, comprou uma revista e um pacote de biscoitos...
Procurou uma cadeira vazia e sentou-se para ler em paz. Pouco depois, um homem sentou-se ao seu lado. Quando ela tomou o primeiro biscoito, o homem ao seu lado, sem cerimónia, também tirou um. Aquilo deixou-a indignada, mas, para não fazer um escândalo, fingiu não ver. Contudo, a cada biscoito que ela tirava, o homem, invariavelmente, fazia a mesma coisa. Foi muito difícil continuar a leitura... Um a um, os biscoitos foram desaparecendo até que sobrou apenas um. Ela pensou, será que ele vai ter a coragem de tirar o último biscoito? Então o homem dividiu o biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela... Felizmente foi anunciado o seu voo... E a mulher, sem olhar para o vizinho, pegou no livro e nas suas coisas e dirigiu-se à sala de embarque. Já no interior do avião, sentada, olhou para dentro da sua bolsa e, para sua surpresa, lá estava o pacote de biscoitos, ainda intacto... Então, sentiu uma imensa vergonha, pois quem estava errada era ela. Afinal ela é que comera os biscoitos do seu vizinho. Existe em todos nós a tentação de culpar os outros, atribuir-lhes a responsabilidade pelas coisas erradas. É a esposa, ou o esposo, é o padre, o governante, o vizinho... Estamos sempre à procura de culpados. Seria mais inteligente, pelo menos de vez em quando, fazer um sincero exame de consciência, analisando friamente as nossas atitudes.

Hoje facilmente condenamos, levantamos os punhos, apontamos o dedo. Humilhamos, achincalhamos, destruímos pessoas, levantamos falsos testemunhos. Agimos sobre notícias falas. Estamos sempre à procura de culpados e estes são sempre os outros. A língua não tem freio, é uma espada afiada, como diz S. António. Santo Agostinho afirma: não condenes o pecador, critica o seu pecado, ou seja, por detrás do pecado, seja ele o mais grave, existe sempre a dignidade de um ser humano e a beleza de ser filho de Deus.

Do evangelho deste domingo poderemos tirar algumas lições para a nossa ávida:
1. Nunca ser inquisidor da vida de ninguém. O Inquisidor/bilhardeiro/a dedica-se a remexer na vida alheia. Julga-se superior. O Inquisidor/bilhardeiro sente-se incumbido de lavrar actas da vida dos outros. Cria rótulos,...Vê os defeitos dos outros. Nunca vê os seus, nem a dos seus.
2. Falhas e fracassos todas as pessoas as têm. Somos todos da mesma natureza. Em vez de atirar pedras, condenar, destruir a dignidade e privacidade dos outros, o cristão tem, como Jesus, a tarefa de ajudar o irmão a levantar-se, a libertar-se.
3. Face à moral, há duas atitudes simplistas e extremas: uma é estabelecer códigos e apedrejar quem não os cumpra; a outra é pretender que cada pessoa nunca se questione, nunca faça exame de consciência. Vive no pecado e quer lá continuar.
4. Jesus pede à mulher adúltera que mude de vida. Compreende a mulher. Perdoa-lhe. Vai, todavia, mais além. Quer que ela recupere a paz consigo mesmo. Impulsiona-a a. A Igreja, misericórdia deve incluir e acolher e não deve excomungar e excluir ninguém. Acabe-se com as condenações! Venha a promoção, alegria da dignificação do outro!
Libertemo-nos!



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