RETRATOS DA VIDA Dois filhos e um Pai. IV Domingo da Quaresma
Data: 30/03/2019

RETRATOS DA VIDA
Dois filhos e um Pai.
IV Domingo da Quaresma

Dizemos: "tal pai, tal Filho". Não se pode dizer o mesmo da parábola extraordinária do Filho pródigo. E, deixai que vos diga isto: já me revi, muitas vezes, na figura do filho pródigo e já me sentei, outras tantas, no lugar distante do filho mais velho. Somos um pouco os dois. Mas olhemos para os traços dos personagens:
1. O Filho mais novo busca a liberdade. Procura distanciar-se do Pai. É a busca de identidade. O filho que busca fora o que está dentro. Pensa uma vida sem referências. E que no vazio da sua fuga, cai em si. Ouvindo ao longe o eco da voz do Pai, na saudade da sua memória, pôs-se a caminho de casa, sem estar seguro da porta aberta. Desconfiando ainda da bondade infinita do Pai, apronta-se a confessar a sua rebelião e dispõe-se a ser tratado como um dos seus trabalhadores. Eis o filho que estava ainda longe de se converter ao amor do Pai. Sai de casa, reconstrói-se, adquire uma nova personalidade, amassada na libertinagem, na dor e na solidão. Recupera, pela acção do pai, a sua dignidade perdida!

2. O Filho mais velho. Mas a parábola, se bem nos lembramos, vinha a propósito dos «fariseus e escribas que murmuravam entre si, dizendo: este homem acolhe os pecadores e come com eles». É o olhar distante, frio e sombrio do filho mais velho. Um estranho dentro de casa. Um coração de pedra. Um ressentido, que cumpre a lei, mas não conhece a alegria. Figura pouco simpática, é este filho mais velho quem melhor, na vida, representamos, na impiedade do olhar com que julgamos, no azedume dos sentimentos com que nos relacionamos, na mesquinhez com que apontamos e exigimos dos outros. E, sobretudo quando, em nome de Deus, julgamos sem misericórdia e excluímos sem compaixão.

3. Deus é um Deus que abraça. O Pai com um rosto humano e divino:
a)Um Pai com um rosto de humildade: Um pai que não usa o autoritarismo para ensinar o verdadeiro sentido da liberdade.
b) Um Pai com um rosto de esperança: O pai permanece firme na expectativa do regresso do Filho mais novo.
c) Um Pai com um rosto de ternura e de compaixão: Um Pai que ama os filhos independentemente dos seus méritos, defeitos e feitios.
d) Um Pai com um rosto de coragem.: Um pai que abre os braços, que tem a coragem de ter um coração bom, que ama quem gerou.
e) Um Pai com um rosto de alegria: Não é um pai frio, impaciente. O pai alegra-se e faz festa porque vê a dignidade do seu filho recuperada. Ama. Tem um coração enorme. Um Pai que ama de tal maneira que o filho sente confiança em regressar à casa do amor! Um pai com coração grande, com um coração de misericórdia!
Deus é amor que sempre espera por nós!


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