CUNHAS E DISPONIBILIDADE: XXIX DOMINGO COMUM
Data: 20/10/2018

CUNHAS E DISPONIBILIDADE.

XXIX DOMINGO COMUM

"A vida é-nos dada e merecemo-la doando-a, colocando-a ao serviço", diz-nos Tagore. Para merecermos esta dádiva incomensurável da vida, teremos de ir dando essa mesma vida gota a gota, momento a momento, numa entrega generosa aos outros, num serviço desvelado a grandes causas. Aqueles que passam pelo crivo da entrega, da doação, da abnegação, do sofrimento, do sacrifício, compreendem muito bem a profundeza das palavras de Jesus. Quem vive a vida num bocejo contínuo, numa irresponsabilidade total, submetida ao fácil, ao imediato, jamais compreenderá a alegria de chegar à meta, a satisfação do dever cumprido, a felicidade de alcançar um objectivo. Não há pérolas sem dor! Jesus disse-nos uma coisa simples: não há crescimento sem esforço, não há amor sem dádiva, não há ressurreição sem morte! Não há felicidade sem entrega, sem cálice! Estar ao serviço, ser disponível, é necessário ter um grande coração!
Para a nossa reflexão, fiquemos como seguinte diálogo:
1) Numa ocasião em que o pai do Raúl o vira a apanhar figos, disse-lhe:
As pessoas são como as árvores. Tal como as árvores sem frutos apresentam os seus ramos altos e leves, as pessoas que não dão frutos e são egoístas são altivas, arrogantes e vazias. Os muitos figos da tua figueira não são para si mesma mas para os outros e, assim como ela está debruçada e quase de joelhos a oferecer os seus frutos, aprende a dar o melhor de ti mesmo aos demais, com generosidade e humildade. Assim como até os figos secos são bons, oferece o que és, mesmo quando aches que não serves para nada nem para ninguém.
A mãe do Raúl, apercebendo-se daquele diálogo e dos sábios conselhos do marido, aproximou-se e, pegando em três figos diferentes, acrescentou:
Raúl, este figo podre poderia representar a vida que já passou e não foi bem aproveitada e agora é tarde demais e não há nada a fazer. Este figo verde que ainda não pode ser comido, representa a vida que ainda não foi vivida e há que esperar pelos momentos certos para acontecer. Finalmente, este figo maduro que pode ser comido neste momento, representa a vida que é um dom de Deus e merece ser saboreada com alegria e sem medo .É melhor saboreada quando é dada por uma causa!...
2) O Pe. António Vieira alertava, no seu tempo: "Antigamente os ministros estavam às portas da cidade para servir o povo. Hoje as cidades estão às portas dos ministros para servi-los." E todos nós somos ministros ou servidores.
3) Por que será que há tanta luta pelo poder? E pelo poder remunerado? Qual a razão por que é muito difícil encontrar voluntários para os diferentes actividades da Igreja e da sociedade e quando cheira a emprego não existem falta de candidatos? É uma fila enorme! 4) Estou disponível para servir, ajudar, colaborar? Tenho um coração disponível para dar? Estou atento e a alerta para servir? "Quem não vive para servir, não serve para viver!"


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