COMPETÊNCIA OU COMPETIÇÃO
Data: 22/09/2018

Educar para a competição egoísta
ou para a competência!!??
XXV Domingo COMUM

Iniciou-se um ano lectivo. Com esperanças, sonhos e promessas. Apesar de cada vez mais se sentir o afastamento de uma profunda, global e íntegra educação de toda a pessoa e de todas as pessoas, há uns carolas que ainda continuam a afirmar a necessidade de se educar para o outro, para responsabilidade, para os valores! Continuamos a acreditar que uma educação reduzida à tecnologia, à ciência positivista, sem humanismo, nem ética e espiritualidade, não serve o ser humano nem a humanidade!
Nas leituras deste domingo ressalta à vista a necessidade de acolhermos os homens justos (1ª leitura), de educarmos para os valores do respeito e da concórdia (2ª leitura), para o espírito de serviço e de disponibilidade (evangelho). Jesus, no evangelho, diagnostica, no coração dos discípulos, um tumor maligno: “eles...tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior”. Nem precisamos de melhor comentário do que o São Tiago na 2ª leitura: “onde há inveja e rivalidade, também há desordem e toda a espécie de más acções”. E também ele vai à raiz do tumor: “De onde procedem os conflitos entre vós? Não é precisamente das paixões que lutam nos vossos membros? Cobiçais e nada conseguis: então assassinais. Sois invejosos e não podeis obter nada: então entrais em conflitos e guerras”. São Tiago abre o apetite pela “sabedoria que vem do alto: pura, pacífica, compreensiva e generosa, respeitadora, cheia de misericórdia e de boas obras, imparcial e sem hipocrisia”.
A inveja poderá reconhecer-se , através das seguintes manifestações:
- incapacidade de sentir alegria pela felicidade alheia. Ao ser-me comunicado um sucesso alheio, respondo com a tristeza ou com a indiferença¬.
- necessidade de reduzir a felicidade do outro. Procurar sempre um ponto negro na situação de felicidade do outro ou dos outros...;
- incapacidade de elogiar. É mais fácil tecer elogios excessivos de um terceiro;
- alegria frente ao infortúnio alheio;
- excessivo espírito crítico e abrasivo. Sente-se uma necessidade vital de denegrir e de diminuir as pessoas apreciadas, brilhantes...;
- dispersão. O invejoso é uma pessoa agitada; a sua tranquili¬dade dura apenas o tempo da infelicidade alheia. Nunca está no seu lugar, pois quer tomar o do outro. Vive apenas para acumular garantias do seu valor e a certeza de que os seus semelhantes valem menos do que ele. Se uma pessoa tem a mente unicamente focada no outro ou nos outros, como se poderá concentrar? Nesse estado, é muito difícil levar uma vida espiritual: oração, atenção, serviço, disponibilidade.
Como queremos educar as nossas crianças e jovens --e a nós a adultos - na competição desenfreada e devastadora ou na competência científica, humana, relacional e espiritual?


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