"VINDE A MIM VÓS QUE ANDAIS CANSADOS…" xvi domingo comum
Data: 21/07/2018

"VINDE A MIM VÓS QUE ANDAIS CANSADOS…"
xvi domingo comum

É radiante para um crente encontrar-se com um Jesus que sabe compreender as necessidades mais profundas do ser humano. Por isso, se nos enche a alma de alegria ao ouvir o convite que dirige aos seus discípulos: «Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e des¬cansai um pouco.»
Nós, homens, necessitamos do verdadeiro descanso. E talvez hoje mais do que nunca. Submetidos a um ritmo de trabalho inflexível, escra¬vos de ocupações e tarefas às vezes esgotantes, mergulhados no consumismo, iludidos no ter e mais ter, necessitamos desse descanso que nos ajude a libertar-nos da tensão, do desgaste e da fadiga acumulada ao longo dos dias. A festa e o descanso teria que nos ajudar a regenerar todo o nosso ser revelando-nos dimensões novas da nossa existência. O ser humano foi feio também para desfrutar, para se divertir, para gozar da amizade, para orar, para agradecer, para adorar. Não po¬demos esquecer que, para além de lutas e rivalidades, todos somos chamados já desde agora a desfrutar como irmãos de uma festa que um dia será definitiva. Segundo o dicionário, descansar é «parar no trabalho ou numa actividade, repousar para reparar forças». Há diversos tipos de cansaço.
a) Mais do que tudo está esse cansaço que provém da nossa ten¬dência para dar uma importância excessiva e desproporcionada ao que nos vai acontecendo. As vezes revestimos de valor absoluto aquilo que nos preocupa num determinado momento. Parece que não existe mais nada no mundo. Para descansar é necessário situar de novo as coisas na sua ver¬dadeira dimensão e perspectiva. Aprender a «relativizar», o que não quer dizer tirar importância aos factos, mas pô-los em relação com o que é importante essencial na vida, a partir da fé.
b) Há outro cansaço que nasce da dispersão. Quando alguém vive dividido interiormente, arrastado por toda a espécie de contradi¬ções e sem coerência pessoal, rapidamente experimenta o desas¬sossego, a insegurança e o esgotamento. A vida torna-se difícil, as relações crispam-se, a saúde arruína-se. Para o crente, Deus é esse Mistério último da vida que o convida a unificar tudo a partir do amor.
c) Outra fonte de cansaço é o aborrecimento e a rotina. A vida é em grande parte repetição, e se a pessoa não vive a partir de den¬tro, corre o risco de cair na rotina: as coisas perdem novidade, tudo é igual, nada merece a pena, o casal que um dia viveu enamorado hoje aborrece-se até nos momentos de maior intimidade. A novidade deve vir de dentro para fora, não de fora para dentro. Para o crente, a vida é uma dádiva de Deus que há que agradecer, desfrutar e partilhar intensamente cada dia.
O evangelho deste Domingo recorda-nos que cada homem e cada mulher necessita de espaço de encontro, de descanso, de comunhão com o Deus da vida.


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