LIBERTEMOS-NOS DAS CAVERNAS! XIV Domingo Comum
Data: 14/07/2018

LIBERTEMOS-NOS DAS CAVERNAS!
XIV Domingo Comum

A gruta de Tham Luang, Tailandia, onde estiveram aprisionados 12 crianças e um adulto, faz-nos lembrar a “Alegoria da Caverna” de Platão, uma das mais importantes e persistentes lições da Vida. Recordo-a brevemente: prisioneiros numa caverna vêem na parede imagens geradas por uma fogueira, sombras de pessoas que passam num caminho que a sua visão não alcança, cenas do dia-a-dia lá fora. Analisam-nas, comentam-nas, nomeiam-nas, sem nunca as verem como elas efectivamente são. Um dos prisioneiros consegue sair, conhece a realidade, os seres vivos, os animais. Regressa à caverna e conta o que viu, ameaçam-no, ninguém acredita nele. Assim somos nós. O homem da caverna do VIIº livro da República de Platão é o homem vulgar. Eu, todos nós. Tentam moldar-nos numa cultura e numa sociedade de imagens, de ídolos fabricados. Transmitem-nos informações, imagens, concepções distorcidas, gerando uma identidade à qual aderimos pela passagem do tempo, educação, rituais e tradições inventadas, baseada em interesses, em agendas pessoais e alheias que determinam as nossas escolhas e conformam as preferências públicas a que aderimos, determinam os nossos cultos.
Há coisas que estão mal. Por exemplo a indiferença. A indiferença perante o sofrimento alheio. Por exemplo, pensarmos que podemos viver sem sobriedade, nem simplicidade, imitando os poderoso do dinheiro e da fama! Está mal a profunda e cada vez maior desigualdade, o aumento dos perdedores da globalização do consumo, o envelhecimento populacional, as alterações climáticas que inundam as grutas onde nos escondemos do Mal dos outros. . O que está mal é um Mundo ávido de emoções mediáticas, mas que só vê as imagens que quer. As que lhe convém. Como os prisioneiros na caverna, limitamo-nos a fruir do que cai nas notícias, cada vez mais também nas redes sociais, e que nos encanta, emociona, irrita ou enoja, sem verdadeiro conhecimento.
A liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum recorda-nos que Deus actua no mundo através dos homens e mulheres que Ele envia como testemunhas. Esses profetas devem ter como grande prioridade, a sobriedade, a simplicidade, a fidelidade a Deus e a atenção aos problemas da humanidade, o romper com a destruição do outro. Amós, actuando com total liberdade, não se deixa manipular pelos poderosos nem amordaçar pelos seus próprios interesses. No Evangelho, Jesus envia os discípulos em missão: anunciar a Boa Nova. e a lutar objectivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Convida os discípulos especialmente à simplicidade, ao despojamento dos bens materiais, à sobriedade.
Libertemos das cavernas em que nos querem encurralar. Hoje querem fechar-nos num mundo sem o outro, sem Deus, sem valores, sem transcendência, sem futuro, presos às imagens projectadas nos ecrans das paredes dos nossos aparelhos.. Acolhamos os que nos querem trazer a paz e a vida! Ouçamos os verdadeiros profetas!


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