JESUS ATENDE-NOS SEMPRE! XIII Domingo Comum.
Data: 30/06/2018

JESUS ATENDE-NOS SEMPRE!
XIII Domingo Comum.

Eis uma história que nos conta Eduardo Galeano
Fernando Silva dirige o hospital de crianças, em Manágua. Na véspera do Natal, fica a trabalhar até mui¬to tarde. Os foguetes estalavam e os fogos de artifício começavam a iluminar o céu quando Fernando decide-se a ir embora. Em casa, esperavam-no para festejar. Percorreu uma última vez as salas, para verifi¬car se tudo estava em ordem, e numa delas sentiu que havia passos a segui-lo. Passos de algodão: virou-se e descobriu que um dos miúdos internos caminhava atrás dele. Na penumbra, reconheceu-o. Era um me¬nino que estava sozinho. Cheio de medo e repleto de lágrimas. Fernando reconheceu a sua cara marcada pela dor e aqueles olhos que pediam desculpa ou talvez pedissem licença. O Fernando apro¬ximou-se e o menino roçou-lhe a mão. O menino libertou-se por uns instantes e disse:
Diga a... - sussurrou o menino. -- Diga a alguém que eu estou aqui.»
No Evangelho deste domingo, Jairo, chefe de sinagoga, homem do aparelho religioso, era à partida, adversário de Jesus... Mas a filha está a morrer e ele renuncia a toda a esperança humana, para confiar e apostar tudo em Jesus. Vence o medo das críticas dos amigos da sua classe, avança movido pelo desejo da cura de sua filha. E procura Jesus. É ainda uma relação com Cristo, feita na base, talvez mais do interesse do que da entrega. Mas Jesus aceita fazer caminho com ele, apesar da multidão, entre apertos. E de repente, entra em cena uma mulher... Hemorroíssa, impura a seus olhos e aos olhos dos outros, sai da sombra e, decidida, vence a inércia e, entre apertos, e contra a lei que a proibia de se aproximar, ela toca a orla do manto de Jesus, na esperança de que Ele a pudesse curar. Jesus procura um rosto e quer saber da mulher que o tocou! Chama e tira a mulher do anonimato, e dialoga com ela, num encontro pessoal. Jesus quer fazê-la ver o imenso valor, as riquezas da graça, que tem dentro de si própria, e por isso lhe diz «A tua fé te salvou»! Essa fé, que se fez decisão, busca, risco, confiança em Jesus. Mais do que a cura, Jesus oferece-lhe a salvação pela fé, pelo toque, pela palavra amiga. Deus sabe que estamos aqui, que existimos. Valoriza-nos em que situação estivermos! Por isso se deixa tocar e escuta a voz desesperada dos sofredores da vida. Onde quer que existen¬cialmente estejamos, ele sabe encontrar-nos e reencon¬trar-nos. "Deus sabe reconhecer os nossos pontos frágeis, os intermináveis corredores solitários onde a noi¬te nos persegue, o medo que a certas horas se lê nos nossos olhos desamparados. Deus sabe. Deus sabe decifrar o fio de voz que nos falha quando temos medo, quando estamos sós e desamparados".
Tal como o menino da história, tal como Jairo e a mulher abandonada, muitas vezes estamos e sentimos a dor da solidão, do afastamento, do esquecimento, do desprezo. "Não há maior dor do que ser ignorado". Jesus, nesses momentos de "noite escura" da alma e da vida, aí está para nos atender!



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