FESTA DO PENTECOSTES : O GRANDE ESPÍRITO
Data: 19/05/2018

FESTA DO PENTECOSTES

O GRANDE ESPÍRITO

No sopé das Montanhas Rochosas, na aldeia de Thio¬ca, os homens tinham talhado, na rocha que dominava o seu acampamento, uma imagem do Grande Espírito. Tinham esculpido um belo rosto de homem, grave e ao mesmo tempo sorridente. Todos gostavam de contemplar esse rochedo: era belo e enchia os seus corações de paz. Um dia, chegou a discórdia à aldeia. A caça não tinha sido boa, e discutia-se porque a partilha dos bisontes não tinha sido bem feita. Os mais fortes, como sempre, tinham ficado mais bem servidos. Deixaram de se falar e, quando chegou o Inverno aconteceu ainda pior devido à fome e às doenças. E sempre a inveja e o rancor. A tribo encontrava-se dividida. O velho chefe nada podia fazer mas não desesperava. Ia dizendo: "Um dia, seremos salvos". Perguntavam-lhe: "Quando?" E ele respon¬dia: "Quando vier à aldeia aquele que se assemelhar à figura do rochedo". Tiwac, um jovem da aldeia, escutava tudo isto com muito interesse. Embora também ele sofresse a fome e, sobretudo a sede, estava muito triste ao ver as pessoas odiarem-se em vez de se ajudarem. Muitas vezes este jovem subia até junto do rochedo do Grande Espírito e contemplava-o... enquanto rezava de todo o coração: "Grande Espírito, envia-nos esse homem que se asse¬melha a ti e ajuda-nos a levar a paz à nossa aldeia". Tiwac voltava a descer para junto dos seus e procurava levar a paz a toda a parte. Falava aos seus irmãos e, com o esforço de todos, pouco a pouco a aldeia encontrou a paz e a unidade. Regressou a prosperidade. Todos tinham o necessário para a vida. Quiseram então celebrar o acontecimento diante do rochedo do Grande Espírito. Tiwac também estava lá. O chefe pegou nele e levou-o até junto do rochedo. Para grande admiração de todos, o rosto de Tiwac assemelhava-se exactamente ao rosto esculpido na rocha. Tiwac tinha-o contemplado tantas vezes e com tanta inten¬sidade, que acabou por se assemelhar ao Grande Espírito.
Dizem que ao nosso mundo falta o espírito da paz, da boa e equitativa distribuição da riqueza, da ética nos negócios, do respeito pela dignidade da vida e a da boa reputação do nosso irmão! Dizem que ao nosso mundo falta o espírito!
O Pentecostes, que hoje celebramos, é festa do Espírito Santo. Do nosso espírito e do Espírito de Deus e de Cristo Ressuscitado! Ele está pronto para vir até nós, às nossas aldeias, freguesias, à família, ao mundo, à Igreja. Lá no fundo de cada um de nós, no mais íntimo de cada um de nós, borbulha a fonte invisível do Espírito Santo, que renova a face da terra e a nossa vida pessoal. As nossas vidas, as nossas famílias, a nossa sociedade andam divididas; as pessoas andam perturbadas, receosas, medrosas. Necessitamos do Espírito Santo e deixarmo-nos envolver por Ele, iluminar por Ele, moldar por Ele, como os discípulos na manhã de Pentecostes e como a jovem da aldeia imaginária de Thioca.



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