JOB: DEUS QUE SOFRE connosco!
Data: 03/02/2018

JOB: DEUS QUE SOFRE connosco!
O sofrimento é o drama mais inexplicável que atinge o ser humano ao longo da sua caminhada pela história. Que razões há para o sofrimento de uma criança ou de uma pessoa boa e justa? Como é que um Deus bom, cheio de amor, se situa face ao drama do sofrimento humano? Reparemos no drama desta história de JOB:
Até a paciência de Job tem limites! E o caso não é para menos. Morre-lhe o gado todo. Levam-lhe os filhos. Vão-se os anéis e, por fim, os dedos. Dos pés à cabeça, o pobre homem é uma chaga viva. A mulher, ainda por cima, frente a tamanha desgraça, pede-lhe que rogue uma praga. Job resiste, porque “pela boca morre o peixe”! Mas a visita dos amigos, que não param de lhe atirar culpas e tirar desculpas, fazem pecar até um santo! E o justo, inocente e paciente Job – imaginem - chega mesmo a amaldiçoar o dia do seu nascimento. O amigo do lado faz da mesinha de cabeceira a sala do juízo final. Diz das boas a Job, que acaba assim por confessar a sua miséria: «recebi em heranças meses de desilusão e couberam-me em sorte noites de amargura». É um desesperado que não vê razão para o sofrimento. E quanto mais pergunta, mais demora a noite! A angústia roía-lhe o coração, de manhã até ao amanhecer. As visitas, em vez de consolação, faziam-lhe desvanecer a esperança! Job sofre na pele a solidão completa. Pior que a noite da dor, foi o eclipse da fé, foi a desmotivação funda que o deixou calado nas suas razões. Que mal tinha ele feito a Deus para tamanha desventura?!... Finalmente Job entende no coração que a vida é mesmo assim: frágil, passageiro, nada neste mundo é absoluto e eterno. Entende a incompreensibilidade da dor e coloca-se nas mãos de Deus. Abandona-se a Deus na funda dor e no seu vale de lágrimas..
Job não é uma história única. É a figura do doente, de qualquer pessoa que sofre no corpo e na alma. Do que perdeu um familiar; de quem se sente abandonado pela pesos que amava profundamente; de quem está a passar por qualquer momento de angústia; de que sente a dor de um amor não correspondido; de uma ruptura afectiva. Todos somos limitados! Todos já fomos, somos ou seremos doentes, sofredores! A dor, o limite, a fragilidade, fazem em parte do ser humano. Esbarra-se no limite e resvala para o desespero.
Que dizer e que fazer? Como encarar a doença e o sofrimento, o doente terminal e o homem desesperado? Vale a pena olhar para o Evangelho e contemplar o rosto de Jesus. Diante da sogra de Pedro, Jesus não esboçou uma teologia da Esperança. Face a face, com a dor, sem a ignorar nem iludir, Jesus simplesmente se aproxima. «Aproximou-se. Tomou-a pela mão e levantou-a». Um toque misturado de ternura e de força, a demonstrar compaixão e a proporcionar alívio. A mulher, restabelecida, começou a servi-los, como se a saúde fosse mais do que um simples “sentir-se bem”; fosse sobretudo liberdade e capacidade para amar e servir. E a verdade é que há uma luz, e possivelmente um CAMINHO para o sofrimento. Que não está dito em nenhuma frase feita. Está na maneira como Jesus ama, reza, abre a dor à esperança! Deus sofre contigo, na tua dor. Toma-te nos seus braços e estende o Seu olhar abençoado. Jesus ilumina e abre uma luz para a noite do sofrimento e da dor.



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