PÕE A RENDER OS TEUS TALENTOS. XXXIII DOMINGO COMUM
Data: 18/11/2017

PÕE A RENDER OS TEUS TALENTOS.
XXXIII DOMINGO COMUM
HISTÓRIA:
Certa vez, um homem caminhava pela praia numa noite de lua cheia. E ia pensando: "Se tivesse um carro novo, seria feliz. Se tivesse uma casa grande, seria feliz. Se tivesse um excelente trabalho, seria feliz. Se fosse um grande cantor, seria feliz. Se fosse como aquele jogador..... Se tivesse uma parceira perfeita.....
Até que tropeçou num saquinho de pedras. Pegou nele, e foi atirando ao mar cada uma das pedrinhas, continuando a dizer: Seria feliz se tivesse..., Se fosse....Foi fazendo isso até ficar apenas com uma pedrinha no fundo do saco. Ao chegar a casa, já com uma luz mais intensa do que a da lua, percebeu que aquela pedrinha era um diamante muito valioso. Imagina quantos diamantes atirou ao mar."

Somos possuidores de tesouros preciosos, e passamos o tempo à espera do perfeito, ou sonhando com o que não temos, sem dar valor ao que somos..


ANTÓNIO PAGOLA, diz-nos a respeito da parábola dos talentos:
Antes de sair de viagem, um senhor confia os seus bens, a três empregados. Os primeiros metem-se de imediato a trabalhar. Quando o senhor regressa apresentam-lhe o resultado: ambos tinham duplicado os talentos recebidos: 10 em 5, 4 em dois. O seu esforço foi premiado com generosidade, pois tinham respondido à expectativa do seu senhor. A actuação do terceiro empregado é estranha. A única coisa que lhe ocorre é «esconder debaixo da terra» o talento recebido e conservá-lo seguro até ao final. Quando o senhor chega, entrega-lho, pensando que tinha respondido fielmente aos seus desejos: «Aqui está o que te pertence». O senhor condena-o. Este empregado «mau e preguiçoso» não entendeu nada. Só pensou na sua segurança. A mensagem de Jesus é clara. Não ao conservadorismo, sim à criatividade. Não à obsessão pela segurança, sim ao esforço arriscado para transformar o mundo. Não à fé enterrada sob o conformismo, sim ao seguimento comprometido de Jesus.
É muito tentador viver sempre evitando problemas e procurando tranquilidade: não se comprometer em nada que possa complicar a vida, defender o nosso pequeno bem-estar. Não há melhor forma de viver uma vida estéril, pequena e sem horizonte. O mesmo acontece na vida cristã. O nosso maior risco não é sairmos dos nossos esquemas de sempre e cair em inovações exageradas, mas congelar a nossa fé e apagar a frescura do evangelho. Devemos perguntar-nos o que é que estamos a semear na sociedade, a quem contagiamos esperança, onde aliviamos o sofrimento. Seria um erro apresentar-nos diante de Deus com a atitude do terceiro servo: «aqui tens o que te pertence». Aqui está o teu evangelho, o projecto do teu reino, a tua mensagem de amor aos que sofrem. Tudo conservámos fielmente. Não serviu para transformar a nossa vida nem para introduzir o teu reino no mundo. Não quisemos correr riscos. Aqui tens tudo intacto (244) Ora, a tarefa da igreja não é conservar o passado. O objectivo da Igreja tão pouco é sobreviver. Isso seria esquecer a sua missão mais profunda, que é comunicar, em cada momento histórico, a Boa Notícia dum Deus Pai, que deve ser estímulo e esperança para o ser humano. De nada serve restaurar o passado se não somos capazes de transmitir algo de significativo aos homens e mulheres de hoje. Por isso, as virtudes que se devem desenvolver no interior da Igreja actual não se chamam «prudência», «conformidade», «resignação», fidelidade ao passado». Tem antes o nome de «audácia», «capacidade de risco», «busca criativa», «escuta do Espírito», que tudo faz novo. Arriscar não é um caminho fácil para qualquer pessoa ou instituição, e tão pouco para a Igreja. Mas não há outro, se queremos aproveitar a vida, comunicar a experiência cristã num mundo que mudou radicalmente. Quando se vive do Espírito criador de Deus, pertencer a uma instituição que tem dois mil anos é uma desculpa para não arriscar!


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